Pegando a bikestrada holandesa

Passado o baque da chegada e depois de ter conhecido, pelo menos um pouco, a maravilhosa cidade de Amsterdam, eis que chegou a hora de começar de fato a pedalar. As manhãs tem sido muito frias e, assim como os holandeses, eu só conseguia espichar as pernas e começar a me movimentar a partir das 11hs, quando o sol ameaçava aparecer e o vento diminuia um pouco. Foi assim no dia em que resolvi deixar a cidade.

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Os caminhos de bicileta por si só já valem a viagem!

Havia feito um planejamento para chegar em Enschede, próximo a fronteira com a Alemanha, em 2 ou 3 dias. Já no primeiro dia de pedal tive certa dificuldade de deixar Amsterdam no sentido que eu queria, ou seja, leste. Conforme você se afasta do centro encontra menos pessoas que falam o inglês, o que de certa forma também dificultou as coisas para mim. Outra coisa importante é que eu ainda não havia me acostumado com as placas de sinalização para ciclistas. Estava me pautando, até então, pelas placas de orientação para automóveis, o que aqui é um tremendo erro! Existem ciclovias para todos os destinos. Muitas vezes os caminhos de bike são mais compridos do que a rota para carros, mas acredite, muito mais legais, e todos eles tem sinalização própria, com placas menores indicando inclusive as distâncias.

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Uma das inúmeras simpáticas vilas holandesas

Após achar meu rumo passei por parques, florestas e estava extremamente encantado com o que via, mesmo com o frio e o vento contra. Com o tempo o vento foi me cansando e eu já sonhava com o momento em que chegaria em Almeere, sem saber de fato do que se tratava. Passei por pelo menos duas vilas incríveis, que mais tarde me arrependi de não ter pousado. Almeere é uma cidade nova, recém construída, e muito ocupada por empresas. Trata-se de um grande escritório no meio do nada. De longe não era o lugar em que eu queria pernoitar. Assim como todas as cidades holandesas, Almeere também é muito organizada, mas nem de perto carrega aquele espírito que eu procurava, e que encontraria nas cidades seguintes. Já muito castigado pelo primeiro dia de pedal em condições extremamente adversas (nunca havia pedalado vestindo tanta roupa, nem com tanto frio ou vento contra), não conseguia vislumbrar um bom lugar para armar minha barraca, e tive que recorrer a um hotel, o único da cidade. Apesar de ter gastado uma boa grana na única hospedaria disponível, pude lavar minha roupa, descansar bem e tomar um bom café da manhã! Energias repostas para um novo dia de pedal.

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Primeira noite numa barraca na Holanda. Experiência punk que ainda iria se repetir

No dia seguinte não via a hora de deixar Almeere, o que não foi fácil. Como eu disse anteriormente, demora um pouco para entender a sinalização para bicicletas, mas quando você pega, é uma delícia! Na maioria das vezes as bicicletas tem vias próprias, em outras são ruas comaprtilhadas, e quase nunca dividem a calçada com pedestres. As ciclovias margeiam grandes rodovias, ou ferrovias, rios, canais, ou parques e florestas. Já menos preocupado em chegar a algum lugar específico, e procurando aproveitar mais o caminho, eis que tive um dia mais agradável, apesar da forte incidência do vento leste (frio), que culminou com a chegada a um camping mais agradável ainda. O lugar de nome Maneschijn (ou Brilho da lua). Além do lugar para armar a barraca e tomar uma ducha quente, ainda havia um pequeno empório, que comercializava queijos e embutidos de produção artesanal. Percebi que eu acabara de chegar na Holanda que eu queria! Mundio de uma pequena peça de queijo e uma linguiça, fiz o meu jantar e fui pra minha barraca. Passei a noite rolando na barraca, tentando me esquentar, e sem conseguir pregar o olho. Quando o dia começou a clarear é que consegui dormir um pouco, com uma leve alta na temperatura.

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Se você passar por um desses é certeza de que poderá ter problemas. Se estiverem girando, é certeza de que você está ferrado!

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Na Holanda, aja como os holandeses. Bike estacionada a dutch style!

No dia seguinte, um pouco contrariado mas muito cansado pela noite mal durmida, resolvi partir, com destino a Apeldorn, a cidade da segunda residência da família real neerlandesa, o palácio Jet Lo. Mais uma vez comprei uma pecinha de queijo e outra linguiça para o caminho, e pé na estrada. Me despedi da simpática Marianne, a senhora que cuidava do estabelecimento, e saí no mesmo horário de sempre, por volta das 11hs. O dia estava mais quente do que o anterior, mas ainda com algum vento. As condições climáticas pareciam melhorar com o passar da semana, o que me deixou esperançoso. Nem preciso dizer que o cenário da viagem facilmente se tornou um filme. As casas em forma de cogumelo, os moinhos de vento à moda antiga e até os pequenos pôneis e os enormes cavalos holandeses passaram a me acompanhar. Mais uma vez o dia de pedal me fez esquecer as agruras da noite, e enfim cheguei a Apeldron.

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Além das frutas desidratadas que comprei em Amsterdam, o ranguinho ficou completo com queijo e embutido artesanais

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Jet Lo, segunda residência da família real neerlandesa

Em Apeldorn não achei lugar para passar a noite. Em busca de um hostel, já que tive traumas da noite anterior, só pude achar um estabelecimento chamado StayOk, completamente lotado. Não sabiam me indicar onde armar uma barraca, já que no enorme terreno que ocupavam, quase dentro de uma floresta, não era permitido. Como não sou nada tímido, saí por aí perguntando, e descobri um camping um pouco mais afastado da cidade. Cheguei lá depois do horário de atendimento, mas mesmo assim o proprietário me recebeu. Sem acreditar muito que eu iria mesmo acampar numa tenda, naquele frio, me indicou o lugar e me desejou boa sorte. Esta noite a temperatura chegou a -2 graus. MEsmo com todas minhas roupas, casacos, meias, gorro, luvas, dentro do sleeping bag, senti muito frio. MAis uma vez não consegui dormir, o que foi acontecer só depois do dia clarear e a fina camada de gelo que se formou em volta da minha barraca derreter. Como sempre, acordei, arrumei minhas coisas e consegui começar a pedalar por volta das 11hs.

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Como é que eu ia fazer essa viagem sem o meu Camelo? E depois o que eu iria dizer pra ele???

Pode parecer loucura, mas a vida aqui começa mesmo nesse horário. Muitos estabelecimentos só abrem as 12hoo, e fecham as 18h00. O sol dita o ritmo e quando ele não está, tampouco se ve pessoas nas ruas. Procurava uma padaria, para me abastecer de carboidratos, mas nenhuma estava aberta. Mais pra frente, nas pequenas cidades de MArkelo, Delden e Hengelo, descobri que as padarias ficaram abertas apenas durante a manhã, porque era domingo.  Sem entender nada, fiquei sem o pão, mas acabei optando, mais uma ves, pela noite em um hotel. Assim me recomponho das duas noites mal dormidas, e me preparo para a próxima semana, com previsão de alta de temperatura, mas com chuva.

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4 responses to “Pegando a bikestrada holandesa

  1. Eduardo, no net ou nos hostels, vc pode cheqar/reservar vaga no proximo destino:
    http://www.hihostels.com/dba/country-Netherlands-NL.en.htm
    Gostei muito de seu registro quase cientifico do ambiente holandês, sentido na pele (gelada).
    O abril frio não é típico, na Alemanha tinha neve em vês de flores.
    Já colocou uma bandeirinha do Brasil na bici? Pode te valer convites
    simpáticos, assim como em Amsterdam e descomplicar as coisas. Brasileiro é bem aceito nos NL, D, F.
    Abraços, Wolf (pai do Clemente)

    • Olá, Wolf, tudo bom? Muito obrigado pelas dicas. Eu tenho uma bandeirinha do Brasil, mas de fato ela é muito tímida, quase imperceptível. Acho que vou procurar algo que deixe isso mais claro! Não deveria estar tanto frio mesmo, procurei na previsão antes de comrpar a passagem e a média de temperatura pra essa época girava em torno de 12 graus. Ainda não chegou a 10! Que bom que você gostou dos registros, espero que continue acompanhando o blog! Grande abraço

  2. Dudu, você é o cara! Agasalhe-se bem e pedale muito para não sentir o frio… To com você! E queria estar mesmo… kkkkk Bjs

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