Holanda de Oeste a Leste em 330km

Amsterdam-Almeere-Nijkerk-Apeldorn-Enschede

Comecei minha viagem na segunda-feira, dia 01/04/2013, quando parti de São Paulo com destino a Amsterdam. A chegada na cidade holandesa se deu na terça-feira, e após dois dias na metrópole, resolvi partir. Saí na quinta-feira por volta das 11h00 e cheguei em Rheine, na Alemanha, na segunda-feira, por volta das 19h00. Ou seja, praticamente cinco dias de pedal, em ritmo leve e sempre contra o vento.

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No caminho para Enschede, os famosos canais holandeses estão sempre presentes

No post anterior escrevi sobre o percurso até Hengelo, onde pernoitei em um pequeno hotel no centro da cidade, para acabar de vez com o cansaço das noites acampado. O sol havia aparecido, pelo menos um pouco para animar o dia, e os ventos, sempre constantes, haviam diminuído. Antes de sair tomei o café da manhã do hotel, que tem sido a minha maior refeição. Me abasteci com um sanduba extra para a viagem e aquelas pequenas geléias, pasta de amêndoas e outras coisinhas que eles disponibilizam. Era minha reserva de emergência. Na saída de Hengelo, porém, o dia estava um pouco mais nublado, mas com temperatura boa (em torno de 5 graus) e os fortes ventos de leste voltavam a me atormentar. Meu destino agora era a cidade de Rheine. Decidi pedalar mesmo contra o vento, pois via nestes dias de pedal na Holanda a maior chance de me preparar para regiões mais ingremes, de montanhas por exemplo.

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Entrada do parque, que na verdade é um cemitério

A primeira parada foi na cidade universitária de Enschede. Avistei a entrada de um belo parque e resolvi entrar para espairecer um pouco. Estava pedalando num ritmo mais tranquilo, sem a pressão ou obrigação de chegar a qualquer lugar. O parque na verdade se mostrou ser um cemitério, muito bonito por sinal, mas fiquei com certo receio de pedalar lá dentro e ofender aqueles que prestavam homenagens aos entes queridos. Saí de lá me sentindo bem, e pensando que muitos daqueles corpos jazem em um local muito mais agradável do que a residência da maioria dos brasileiros.

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Carrinho engraçado e pouco maior do que minha bike!

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Praça e boteco onde bebi a minha primeira e única cerveja na Holanda!

Segui em direção ao centro, e já num outro espírito parei para tomar uma cerveja! Era a minha primeira cerveja em solo holandês, e provavelmente a última! Sentei na praça, pedi uma Grolsch e aproveitei para pensar em nada. Nada na cabeça nessas horas pode ser muito bom! Após dois copos de cerveja segui meu caminho. Entre idas e vindas, achei a rota para meu destino, e parti rumo a Gronau (o g na Holanda se pronuncia como um r arranhado na garganta, é praticamente outra letra!). Passei pela pequena cidade e em pouco tempo já estava em Ochfrup. Depois de Ochfrup as placas de sinalização para bikes começam a desaparecer. Na verdade elas mudam de padrão, já que entrei em território alemão. Após tentar obter informações utilizando o resto do que sobrou do meu alemão, descobri um belo caminho pelo campo, entre fazendas.

A chegada a Rheine foi um pouco aflitiva. Os poucos quilometros rodados se tornaram muitos com a volta dos ventos. Sem a certeza de que encontraria um lugar para dormir, passei o caminho quase inteiro sondando locais para camping. Em uma derradeira tentativa de encontrar um albergue, pedi informações a um senhor alemÃo, no quintal de sua casa. Ele disse que eu poderia tentar um Jugendherbergen, a poucos quilometros dali. Se o local estivesse fechado eu poderia procurá-lo novamente que ele me receberia, pelo menos para eu tomar um banho. Só não me convidou para dormir pois seu pai estava falecendo, e sua rotina estava muito desgastante. Agradeci imensamente pela generosidade e segui para o albergue.

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Na Alemanha a mudança na paisagem. Vilas menores e mais rurais, além da sinalização das ciclovias ser menos organizada do que na vizinha Holanda

Finalmente encontrei o local. Por EU18,00 consegui um quarto com café da manhã. O albergue está completamente vazio, talvez por causa do prolongamento do inverno. Eu sou o único hóspede aqui e confesso que preferi desta maneira. Nesse momento acho que eu não gostaria muito de dormir numa república, ou coisa do gênero. Talvez seja a idade, talvez o desgaste da viagem. Agora devo partir, talvez não mais em direção a BRemen, e sim apra Osnabruck. O norte é mais frio e não tenho conseguido lidar muito bem com isso.

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6 responses to “Holanda de Oeste a Leste em 330km

  1. Falae Du!

    Cara, to acompanhando os posts aqui, fantástica sua trip!
    Curiosidade: você está usando segunda pele, certo? Nem elas estão resolvendo o frio?
    Lembro que em Budapeste vi o pessoal treinando a -10º usando estas roupas especiais.

    Força e alegria que essa aventura é única.

    ps: falando em aventura, lembrei do filme, An Unexpected Journey, Du Dias Bolseiro…rs

    • Olá Mozart, tudo ótimo! Que bom que você está acompanhando e gostando dos relatos. Estou usando segunda pele sim. Eu também já vi em filmes uns russos loucos quebrando o gelo e nadando em águas com temperaturas inimagináveis. Pois é, não sou um deles! Ainda sou brasileiro e gosto muito das coisas quentinhas! rsrsrsrsr Grande abraço!

  2. Oi querido, adorei ler sobre sua viagem e como vc está lidando com a sua nova rotina! Fiquei muito feliz em saber que vc ta conseguindo se virar com o alemão, muito mais do que vc imaginava, pois sei que isto era algo que te preocupava! As fotos estão lindas, da saudade da europa! O frio é assim mesmo, com mais algumas semanas vc vai estar mais acostumado e a temperatura melhorará! Muita força pra vc pois não é uma viagem fácil além de estar sozinho tem também todo o cansaço físico! Boa sorte neste seu caminho!
    Muitos beijos
    Jayana

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