A Alemanha, afinal!

Rheine – Osnabruck

Foi dificil, mas eu consegui sair de Rheine. Tinha dormido muito bem nesta noite, talvez pelo cansaço. Eu era o único hóspede no albergue, o que me deixou muito à vontade e possibilitou uma ótima recuperação. Esperava que houvesse chuva pela manhã, conforme a previsão, mas não havia. O universo conspirava a meu favor! Após um bom café da manhã, surpreendentemente completo para um único hóspede (eu), separei um sanduba para a viagem, arrumei minhas coisas e parti.

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Na saída de Rheine já era possível notar a diferença entre a arquitetura holandesa e alemã

Minha intenção era pedalar enquanto o tempo estivesse bom e repousar em algum lugar barato nos dias da chuva que se aproximava. Não queria estar acampado durante este período e sofrer algo parecido com minhas últimas experiências na tenda. Chequei em um guia a existência de albergues nas cidades vizinhas e notei que em Osnabruck, mais ao leste, havia uma hospedagem desse tipo. Era o meu destino. A distância era curta, apenas 45km, e o tempo estava frio, porém estável.

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Saindo da auto-estrada e entrando em uma pequena vila, uma placa já indicava que se perder na Alemanha talvez fosse o melhor caminho

Tudo parecia bom demais para ser verdade, e relamente as coisas não foram como eu imaginava. Primeiro tive dificuldades em seguir pela ciclovia. Ela de repente acabava numa auto-estrada e eu definitivamente não queria ir por ali! Entrei numa pequena vila, muito simpática por sinal, e acabei encontrando um caminho alternativo, pelo menos até certo ponto. Depois disso a ciclovia se juntava com a auto-estrada e era imperativo ir por ali. No começo fiquei meio assustado, pois os carros passavam em alta velocidade e havia apenas uma pequena faixa de menos de um metro de acostamento para as bikes. Depois fui me acostumando e percebi que mesmo com apenas uma faixa de rolamento de cada lado para automóveis, eles tomavam uma distância extremamente grande ao ultrapassar qualquer ciclista. Parece que todos os motoristas sabem o quanto um carro pode incomodar um ciclista na estrada, e respeitam por livre e espontânea vontade!

Não achar uma alternativa para a auto-estrada cansa um pouco, mas para quem já pedalou na Raposo Tavares, Regis Bittencourt, Rodovia dos Tamoios e outras estradas paulistas, não é nenhum bicho de sete cabeças. A história começou mesmo a tomar ares de filme de terror quando o vento voltou a soprar, e trouxe uma chuvinha fina, porém muito chata. A chuva também ajudou a diminuir a sensação térmica e só ficou pior quando começou a subida. Pois é, se desde Amsterdam até agora o terreno havia sido completamente plano, com pouquissimas variações de altitude, para chegar a Osnabruck existe uma pequena montanha. Não era nada demais, mas somada aos outros fatores se tornou um belo desafio.

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Um túnel no meio do caminho era a única opção de descanso ao abrigo do vento

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A chegada em Osnabruck não podia ser melhor. Me sentindo em casa, afinal, parecia festa junina!

Durante o caminho avistei um trem cegonha, com aproximadamente 20 vagões carregados de automóveis. Também passei por algumas fábricas denunciando que esta era uma região industrial. Definitivamente não era o tipo de paisagem que eu queria e isso me incomodava. Pensava a todo momento que havia escolhido o destino errado e que eu seria duramente castigado por isso. Não era verdade. Apesar da forte inclinação industrial da região, Osnabruck é uma bela cidade. Muito religiosa, cheia de monumentos e muito bem organizada, também possui um centro comercial bem desenvolvido, e as pessoas tomam as ruas, muito mais do que em qualquer cidade do interior da Holanda.

Finalmente encontrei meu albergue e decidi ficar por aqui por pelo menos duas noites. Além do cansaço, quero esperar o tempo melhorar, já que a chuva por aqui não é como no Brasil. No Brasil chove no verão, e logo o sol aparece para secar tudo, além da temperatura não cair muito. Aqui chove e fica molhado. O frio aumenta e a possibilidade de ficar doente é grande. Vou aproveitar esse tempo para me recuperar, descansar bem, refazer minha rota a partir daqui e quem sabe tomar uma cerveja! Afinal, estou na Alemanha!

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Uma das enormes igrejas de Osnabruck revela o caráter extremamente religioso da cidade

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10 responses to “A Alemanha, afinal!

  1. Eduardo,
    na foto da estrada le-se: Estrada para a Bohemia desde 4000 anos!
    De Osnabrück vc tem uma série de ciclovias exclusivas com destinos diferentes: uma até Bremen (bonita) via Belm e Ostercappeln. Terreno plano (acho eu), outra até Paderborn 150 km, com opções diferentes, outra para Münster (sul), dai pro sul, vale do rio Reno ou pro leste, Hanover Celle, Hamburgo ou Berlin. Depende de seu planejamento geral. Dica: invista num bom Guia de ciclovias europeas (“Radwege-Führer”). Vale a pena. Não pode pedalar na “Autobahn”, estradas de sinalização azul! Tem varios na net, em ingles e alemão, tenta este:
    http://www.radweit.de/index/routyber.html
    Permite planejar, vc escolhendo os pontos de saída e chegada.
    Mas compre um guia numa loja especializada (bike shop) porque tem muitas rotas temáticas (de castelos, de rios, europeas etc.), e procura conversar com os caras.

    Abraços e bom tempo,

    Wolf

    • Olá, Wolf, mais uma vez obrigado pelas dicas! Vou procurar o guia. Atualmente estou decidido a ir até Bremen, para depois seguir até Berlim, mais pelo Norte. Por conta do frio ainda estou muito carregado, com roupas pesadas e não sei como me comportaria em terras mais montanhosas. Pensei em descer o Reno, mas optei por conhecer o sul da Alemanha quando estiver voltando da Austria….Sim, ainda tem muita história para ser contada!

      • Melhor sempre seguir as ciclovias ao longo do rios. São planas e mais bonitas. Se vc for p Berlin via Bremen e Hamburgo p Berlin posso indicar um amigo em Mölln (cidade historica muito legal com bom hostel). No momento, alias, ele está hospitalizado.
        De Hamburgo pode se pensar num pulo à Dinamarca, o Eldorado dos bikers (usando o ferryboat de Lübeck ou Kiel)
        abs, Wolf
        Wolf

      • Olá, Wolf. É mais ou menos isso mesmo que devo fazer, ir para Berlin via Bremen. Não tinha incluído a Dinamarca nos meus planos, mas sabe como é, tudo pode (e vai) mudar! A partir de hoje trecei o seguinte trajeto para Bremen – Belm; Ostercappeln; Hunteburg; Lembruch; Diepholz; Branstorf; Twistringen; BAssum; Heiligenrode; Stuhr e finalmente Bremen!!!!

  2. Que legal, Du! tenho lido sempre os teus posts! São uma delícia!!!!! A Alemanha já foi muito religiosa,….. ao sul temos os católicos e no norte os protestantes….. Tem igreja em todo o canto, mas se vc observar estão vazias…. Em Berlim, por exemplo, eles começaram a alugar o espaço pra qualquer coisa, já que os cultos quase não mais existiam….
    Aproveite pra experimentar muita cerveja e comida típica! Caso esteja se sentindo meio gripado, sugiro um heisse zitrone (“chá de limão”) em qualquer bar, ajuda bastante!
    Boa sorte! To torcendo pro tempo melhorar logo!
    beijinhos

  3. Du, daqui do meu conforto estou adorando a viagem. Otimo texto pra gente acompanhar este seu dia a dia.. Estamos na torcida por dia melhores e mais ensolarados. Bjs

    • Oi Bel, tá quentinho aí né? rsrsrsrsrs. Aqui também está uma delícia. Descobrir o mundo de bicicleta é um encanto! Que bom que está gostando! Beijos e obrigado epla força!

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