Alemanha – Entrando nas ciclo-rotas da Baixa Saxônia

De Osnabruck a Bremen;

Etapa 1 – Damme

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As ciclo-rotas não são exatamente o caminho mais curto entre dois pontos, e sim os mais agradáveis!

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Ao lado de rios, canais, pontes e belas paisagens a pedalada é muito mais agradável, mesmo quando o tempo não ajuda

Foi na segunda noite em um albergue em Osnabruck que decidi partir na manhã seguinte. A chuva já durava dois dias e a previsão dizia que vinham pelo menos mais dois ou três pela frente, o que segurava o termômetro na casa dos 9 graus, com sensação térmica de 5, no máximo. O albergue onde estava hospedado era demasiadamente caro e isso me incomodava. A vontade de pegar novamente a estrada e testar mais um pouco mais meus limites aumentava a cada hora, e eu sabia que passar por essa chuva significaria uma grande vitória, já que em breve a temperatura iria subir e eu seria plenamente recompensado (hoje é quinta e a previsão é que já no domingo a temperatura chegue a 20 graus! Vai entender…). Além disso, ficar mais uma noite significaria pagar caro sem sair do lugar!

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A pequena cidade de Ostercappeln, fria, molhada e ainda assim muito aconchegantye

Fiz um pequeno planejamento mas senti que algo estava faltando. Existia uma grande incógnita com relação a que caminho seguir: se subisse para Bremen, minha opção favorita, estaria indo em direção ao norte – mais frio; se seguisse em direção ao leste, para Hannover, o que eu tentava evitar, pegaria o vento frio de frente e se fosse para o sul me distanciaria muito da minha rota inicial, além de ter que enfrentar as montanhas. A chuva era um complicador, mas se eu partisse ela não iria interferir na escolha do caminho, já que operaria quase da mesma forma independente da escolha.

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Ao “entrar” no circuito redescobri as placas de sinalização para ciclistas. A Alemanha apagaria a primeira impressão que tive.

Até os 45 minutos do segundo tempo ainda não tinha decidido meu destino. Mas eis que numa conversa com outros hóspedes do hotel, e após ler o comentário do amigo Wolf Gauer neste blog, encontrei na internet duas rotas de bicicleta até Bremen, com altas recomendações dos camaradas alemães. Um deles inclusive imprimiu para mim os nomes das cidades e as distâncias entre cada uma delas, provando de uma vez por todas que o alemão pode sim ser um bom anfitrião. Isso me deixou muito feliz, afinal, estava conseguindo aprimorar meu escasso conhecimento da língua alemã e ao mesmo tempo obter informações preciosas para minha viagem. Vale ressaltar que a Alemanha conta com milhares de quilômetros de ciclovias e ciclo-rotas, e que é muito fácil se perder no interior do país.

Chequei a lista de albergues disponível no quadro de avisos e encontrei um estabelecimento próximo a uma das cidades por onde passaria. Minha intenção sempre fora permancer bem alojado nestes dias de frio e chuva, mas preferencialmente pagando pouco. Era minha chance. Eu já tinha notado que a chuva estava sempre presente pela manhã, diminuia com a chegada do sol (hipotético) do meio dia e depois voltava ainda fraca, mas ganhava força no final da tarde acompanhada do vento. Optei por sair naquele mesmo horário de sempre, por volta das 11hs, com ou sem chuva. Assim poderia me molhar um pouco, mas aproveitaria ao máximo o período seco, e evitaria chegar muito tarde ao meu destino, quando o vento aparecesse.

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Ich, mich und alles

Saí com chuva. E isso não foi bom, pois logo estava completamente molhado, principalmente nos pés. Durante todo o trajeto senti muito frio nesta parte do corpo, e isso me irritava profundamente. Tentei ignorar e me concentrar no caminho, achar aquela rota ciclística que eu havia sonhado. E eu encontrei! Não demorou muito para eu começar a cantar e gritar comigo mesmo, em alguns espasmos de felicidade. Pedalar na chuva pode ser muito gostoso, se você estiver bem preparado. Eu particularmente adoro o clima, o silêncio e o cheiro da chuva, mas confesso que dessa vez poderia ter caprichado mais, principalmente no “pisante”. De qualquer maneira, estava sozinho em uma rota maravilhosa, entre fazendas, canais, pontes, rios, pinheiros e plantações. Senti que eu não precisava de mais nada naquele momento, afinal, eu fazia parte daquilo!

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Poucas cores e muitas sensações

Passei por caminhos de terra, pedriscos e asfalto. Quase nem percebi a pequena cidade de Belm, muito simpática por sinal, e fui direto para Ostercappeln. Lá fiz uma pausa num café, aproveitei para me secar um pouco, tomar algo quente e confirmar minha rota. A chuva se mostrou boa para muita reflexão, mas me privou da bela paisagem que eu vivia – não parei para tirar fotos ou contemplar a paisagem, mesmo sabendo que eu havia conseguido entrar definitivamente no “esquema” das ciclorotas! Muita alegria, euforia e acima de tudo, frio nos pés! Após sair de Ostercappeln segui as placas para Damme, onde se situava meu próximo albergue. Isso também contrariava um pouco o que eu havia visto até aqui: uma Alemanha com precária sinalização para bicicletas, pelo menos em comparação com a Holanda. Talvez em algumas cidades germânicas seja mesmo dificil encontrar as ciclo-rotas, o que no país vizinho é muito mais fácil, mas uma vez que você entende a lógica é quase como num sonho. E eu acabo de chegar em Damme, mas ainda não acordei! Minhas roupas sofreram quase tanto quanto meus pés, e sei que minha bicicleta também não gostou muito do estado que ela ficou. É hora de botar a mão na massa, dar um trato na magrela e nas vetimentas, para quando o tempo melhorar alçar vôos mais altos!

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5 responses to “Alemanha – Entrando nas ciclo-rotas da Baixa Saxônia

  1. Sem querer encher, Eduardo, mais um dica:
    Um café quente ou chocolate com bolo etc. sai pela metade do preço de “café sentado” naquelas padarias com mesinha alta, sem cadeiras.
    Normalmente nas zonas pedestres do centro. Exemplo: a cadeia “Tschibo” que também vende roupa, meia seca e tal. Bons sandubas (baratos) vc encontra nas lojas “Nordsee”.
    Clima: o norte da Alemanha não é mais frio que o sul!! Pela altura e pela influência do mar (Gulf-stream).
    abs, Wolf

    • Olá, Wolf, mais uma vez obrigado. Não está enchendo não, afinal, estou aproveitando para aprender muita coisa, inclusive com suas dicas, muito bem-vindas! BEm que eu achei estranho as pessoas tomando café na loja de roupas…rsrsrsrsrsr. GRande abraço!

      • …ver pra crer! Alimentos: pão, conservas, frutas etc, os melhores preços nos grandes galpões da “Aldi” e da “Lidl” – sempre na periferia das cidades.

        abs, Wolf

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