Bremen – Hamburg: ciclorotas de Wumme e Leine

IMG_1246

As ciclorotas turísticas tem uma sinalização própria – simples e eficiente! No caso quatro rotas diferentes passam pela mesma região

Bremen – Rotenburg – Hamburg

Após um pequeno contratempo, que me custou EU30,00 (a troca da roda traseira, com todo o serviço de raios e alinhamento), consegui finalmente deixar a cidade de Bremen. Para chegar ao meu desino, a cidade de Hamburg, passaria basicamente por duas rotas de bicicleta distintas: uma chamada Wumme e outra chamada Leine. Cada uma possuía sua simbologia própria e as duas deveriam se cruzar nas imediações da pequena cidade de Welle. Devido ao atraso na saída, no final do primeiro dia passei apenas pelas pequenas cidades de Ottesberg e Rotenburg, onde acampei.

IMG_1251

Reparo da minha magrela realizado por ninguém menos do que um dos irmãos Grimm! Reforço digno de um conto de fadas!

O segundo dia de pedal rumo a Hamburg também foi precedido de um imprevisto. O que parecia inimaginável aconteceu: meu alforge da marca Ortlieb se quebrou! Sim, se tratava de um produto alemão conhecido como um dos melhores do mundo! Tive que fazer uma pequena gambiarra com uma corda elástica e resolver temporariamente a questão, pelo menos até chegar a Hamburg e procurar por uma loja. Naquele momento, após tudo que passei, achava que já estava preparado para qualquer coisa, e com os dias de sol nada poderia me abalar. Mais uma vez fiz meus caminhos por pequenas vilas, fazendas, estradinhas de terra, pedriscos ou asfalto. Basicamente  pelo campo. O vento batia forte mas não era nada com que eu já não tivesse me acostumado. Passei por ScheeBel e tentava achar a rota para Welle, quando percebi que estava na cidade de Fintel, fora dos meus planos. Existe um momento em que a rota de Wumme faz uma bifurcação e sem querer eu tomei o caminho mais ao sul, quando deveria ir para o norte.

IMG_1274

Apesar de não espantar totalmente o frio, o sol resolveu aparecer

IMG_1284

O caminho pelas ciclorotas, passando pelas pequenas cidades é sempre uma ótima opção

Tudo bem, mais alguns cálculos e eu corrigi a situação: passaria agora por Tostedt, Rade e finalmente Hamburg, provavelmente só no dia seguinte. Eu pedalava em ritmo tranquilo, como sempre, apreciando a paisagem e tentando ler e entender as placas de sinalização, assim poderia me acostumar cada vez mais com a língua e costumes alemães. Nesse momento passou por mim o primeiro ciclo-viajante que pegava uma rota semelhante a minha. Se chamava Oliver e havia saído de  Zurique , na Suiça, onde pegou um pequeno trecho dos Alpes, subiu pelas margens do rio Reno e e seguia para visitar o pai em Hamburg. Conversamos por um tempo, enquanto pedalavamos e ele me ofereceu o quintal da casa da familia para acampar. Aceitei na hora, afinal era a melhor opção de estadia que eu poderia conseguir, e a partir de então seguimos juntos para Hamburg. Oliver carregava um reboque que somado ao seu peso e ao de sua bicicleta completavam aproximadamente 140 quilos!! Mesmo assim ele ia numa velocidade muito superior a minha e era dificil acompanhá-lo. Mais acostumado com a rota, o suiço seguia sempre em frente, sem se preocupar com os cruzamentos, com as placas ou com qualquer contratempo, certo de que ia na direção correta. Eu, ainda meio assustado, fazia por onde para não pereder seu ritmo.

IMG_1303

Pode vir, amigão: na hora de pegar o túnel Saint Pauli, por debaixo do Elba, pedestres e ciclistas estão sempre liberados!

Após 95 quilometros de pedal chegamos a Hamburg! A travessia do rio Elba foi incrivel – por um elevador que dava acesso à um túnel para cruzar por debaixo do rio. O frio que fazia lá embaixo ajudava a completar a sensação de fazer parte de um romance de Julio Verne. A chegada a Hamburg já se mostrava muito mais legal do que em Bremen. De cara estávamos em um enorme porto, o segundo maior da Europa, com navios incríveis e prédios mais fantásticos ainda! Seguimos as margens do Elba, apreciando a paisagem e passando por enormes casarões, pequenos palacetes, quase todos vazios. Acredito que sejam casas de veraneio da elite alemã, pois estavam muito bem cuidadas, com a grama aparada somente esperando a chegada do verão.

IMG_1310

Minha nave na viagem ao centro da terra!

Fui muito bem recebido pela família do suíço, que foi extremamente hospitaleira. Pude tomar um banho quente, lavar minha roupa e sentar à mesa para comer uma deliciosa macarronada! Fazia tempo que não comia assim, sentado à mesa numa casa de família. Tomamos um bom vinho e no final ainda teve sobremesa, acompanhada de um vinho mais doce. Era tudo o que eu precisva para encontrar o caminho da minha barraca e dormir tranquilamente.

IMG_1300

O famoso Michel, visto do outro lado do rio, na chegada a Hamburg

No dia que se seguiu acordei cedo e mais uma vez fui convidado para uma deliciosa refeição, o café da manhã. Não imaginava que pudesse ser tão bem recebido por aqui, e ainda estava um pouco deslocado. Durante o dia Oliver me acompanhou até uma biciletaria para o reparo no meu alforge,se ofereceu para me apresentar a cidade e pedalamos durante o dia inteiro. Hamburg é extremamente grande e as vezes um pouco bagunçada, para os padrões alemães, é claro. Muita gente, muitos carros, muitas bicicletas! Pedalamos pela periferia, uma região de fzendas, parques, restaurantes e clubes. Depois fomos ao centro, ao porto e tentamos entrar no Museu de Ferromodelismo, mas chegamos muito tarde e as portas já estavam se fechando. Foram aproximadamente 40 quilometros de pedal pela cidade, que cetamente tem muita história pra contar!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s