1000 quilometros de Amsterdam a Berlin

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Uma das inúmeras cidades barrocas no caminho de Hamburg a Berlin

Hamburg – Geestacht – Bressegard – Ponitz – Pessin – Berlin

Depois de maravilhosos 1000 quilometros de pedal, cheguei na capital da Alemanha, uma das maiores cidades do continente europeu e sem dúvida nenhuma um dos mais imporantes centros históricos do mundo! Foram exatos 1077km rodados, embora meus cálculos indicassem que seriam 1052, e depois que eu fiz a rota no Google Maps foram pouco mais de 700. Já deu pra perceber que fazer contas não é o meu forte, e nem acertar todos os caminhos! Independente das falhas técnicas e de planejamento, atravessar a Alemanha é muito mais prazeroso do que propriamente dificil. Se eu pudesse destacar os fatores que complicaram um pouco minha viagem, eles seriam: o frio; o vento e eventualmente a chuva. O relevo ajuda (não existem montanhas!), as pessoas são cordiais (sim, os alemães são simpáticos!), as cidades encantadoras e existem diversas florestas, só esperando você chegar lá para acampar.

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Ainda é possível acampar nas florestas perto da capital alemã. Nesse dia com direito a vinho francês de EU4,00!!!

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O rio Elba dispensa comentários

Saindo de Hamburg até aqui (Berlin) demorei quatro noites, três delas acampado na floresta. Devo dizer que não poderia ter feito escolha melhor. Ninguém vai na floresta, pelo menos nessa época do ano, o clima é agradável e não é preciso se preocupar com uma infinidade de animais peçonehntos ou assaltos, como no Brasil. Além disso, acampar ajuda a balancear o orçamento, que em algumas cidades como Hamburg (não no meu caso) e Berlin, pode sair completamente fora do esperado. Pouco antes de chegar em Hamburg fui contemplado com alguns dias de sol, o que me confortou profundamente. Infelizmente o trecho seguinte não foi tão abençoado. O sol só foi aparecer novamente no extao dia em que eu chegava à capital, como que se fosse planejado.

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Em cada pequena cidade, uma homenagem às vítimas das guerras

Já o caminho em si foi um pouco conturbado, mas sempre prazeroso. A princípio não consegui seguir a rota do guia de ciclorotas que havia comprado, já que não entendi muito bem o que ele queria dizer (o básico de alemão as vezes não é suficiente). Só depois consegui compreender que não existe uma rota Hamburg-Berlin, e sim uma combinação de três diferentes rotas, que juntas fazem este percurso. Demorei cerca de 1h30 para sair de Hamburg, e quando percebi, estava novamente na cidade. Desisti do percurso estabelecido e decidi fazer à minha maneira. Tudo foi muito bom: as cidades que conheci, as pessoas….não poderia ter imaginado algo melhor, mas devo destacar que tive que pedalar diversas vezes por uma rodovia chamada B5, dividindo espaço com carros em alta velocidade, no maior estilo alemão. Nestes momentos me arrependi de não ter insistido em uma ciclorota, mas jamais tive que voltar atrás. O caminho pode ser mais longo, mas é certeza que você irá aproveitá-lo muito mais.

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Com uma infinidade de igrejas protestantes no norte do país, é impossível negar a religiosidade do povo alemão

O rio Elba é lindo e os trechos de pedal às suas margens são uma dádiva. Cada pequena cidade do interior da Alemanha carrega consigo uma áura encantadora, cheia de história, costumes e construções antigas, que cativam tanto que não da vontade de partir. Há aproximadamente 16km da capital nacional me deparei com uma série de prédios abandonados, que segundo um passante, serviram de abrigo para as tropas russas, quando a cidade ainda estava sitiada. São milhares de moradias, ainda em bom estado, que foram lacradas e hoje ninguém pode habitá-las. Mais uma vez agradeci por estar de bicicleta, já que de outra forma não teria passado por ali. Depois disso ainda me perdi um pouco para entrar na cidade, já que acabei acessando sem querer, e por mais de uma vez, dois enormes centros comerciais, tipo os outlets braslieiros, mas ainda maiores.

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Mais um dia de camping na floresta antes de chegar a Berlin

Depois que consegui me livrar do emaranhado de ruas, travessas, viadutos e avenidas que só me faziam ficar preso nessres lugares horríveis, achei meu caminho para a capital. Pedalei por mais 6km e já estava no centro expandido de Berlin. Seriam mais uns 12 quilometros até o centro, o que não foi dificil. Uma ciclovia às margens de umaenorme avenida em linha reta se encarregava de me conduzir até o coração da cidade! E que cidade!!!!

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Chegando a capital

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Ao sair de casa, cuidado para não tropeçar na história!

Se Hamburg já tinha se mostrado um pouco bagunçada para os padrões alemães, Berlin era ainda mais! Bicicletas para todos os lados, em todos os sentidos e passando por cima de tudo. Carros buzinando e fazendo conversões no meio do cruzamento, passando no sinal vermelho e estacionados nas calçadas. Pessoas apressadas e sem muito gosto para o blá blá blá, como era de se esperar em uma cidade cosmopolita como esta. Tudo bem, o que eu queria agora era encontrar um lugar barato para dormir e no dia seguinte conhecer a cidade, para só depois partir. O albergue em que fiquei hospedado era muito bem localizado, próximo a Potsdam Platz, uma enorme praça com área verde de um lado, um centro comercial absolutamente gigante e envolvente, um pátio com as estações do metrô, várias ruelas, ciclovias, ruas e muita gente. Dali pude facilmente conhecer o Tiergarten, ir até o Brandenbourg Tor, ver o resto do Muro de Berlin, passar pelo Memorial do Holocausto, visitar o Dom, entre outras coisas.

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Primeiros mil

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Ao fundo a floresta que seria meu abrigo nesta noite

Devo admitir que um dos maiores problemas da cidade de Berlin é que ela age como um polvo, cheio de tentáculos, querendo te envolver. Uma vez que você está lá é muito dificil querer ir embora. Basta você sair para ir ao mercado, ou a padaria que derrepente se vê ao lado de um monumento histórico, de uma construção encantadora ou de um parque maravilhoso. Mas infelizmente a cidade é cara e ficar por ali teria o seu preço. No dia seguinte resolvi partir, o que na prática não foi muito dificil. Assim como na chegada, para sair bastava pegar uma grande avenida e seguir em frente, rumo a Potsdam, uma cidade bem menor, mas também cheia de história!

Da pra ter uma vaga idéia do percurso, não muito preciso, mas é isso aí!

Da pra ter uma vaga idéia do percurso, não muito preciso, mas é isso aí!

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Nos entornos de Berlin, os prédios que foram utilizados como residência de soldados russos, perto de Dallgow-Doberitz

Nos entornos de Berlin, os prédios que foram utilizados como residência de soldados russos, perto de Dallgow-Doberitz

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2 responses to “1000 quilometros de Amsterdam a Berlin

  1. Otimo! Pegou o jeito, Eduardo,

    só um detalhe: é proibido – e muito – acampar na floresta. Pode sair bem caro mesmo. Talvez por causa dos incêndios. Para não te pegarem: Fique em área bem fechada do mato, o mais lonje da estrada, e nunca deixe a mostra o fogueirinho!! Cuidado com Javali quando com cria! Perigo mortal!
    É o outro lado da Alemanha: “tudo é proibido que não é permitido”. No “Zeltplatz” (área de acampar) dos albergues “DJH”, vc paga entre 6 e 15 € para por a barraca, normalmente com uso de chuveiro. Ou fala c fazendeiro p acampar em área particular.
    Abs, Wolf

  2. Olá, Wolf, que bom ver mais um comentário seu por aqui. Eu fiquei sabendo que era proibido acampar mesmo, mas conversando com alguns locais eles me disseram que não haveria problema, desde que eu me enfiasse mesmo na mata, do jeito que você falou. Alguns deles inclusive, quando perguntei se havia local para camping, me responderam: “Claro, na floresta!”rsrsrs

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