Dresden a Praga pelas margens do Elba (Labe)

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Já em Praga, agora às margens do Vltava

Dresden – Decin – Usti’n Lab – Melnik – Praga

O clima não ajudou muito quando cheguei a Dresden (chuva fria). O albergue que eu me hospedei também não (muito caro!). Os dois fatores colaboraram para que eu antecipasse minha partida, já que a principio pretendia ficar um pouco mais na bela cidade alemã. Mas não, fiquei apenas uma noite. Na manhã seguinte arrumei minhas coisas e parti, rumo à capital da República Tcheca. Eu sabia que demoraria pelo menos 3 noites para chegar lá, mas como sempre, o tempo de deslocamento não era problema, eu não tenho pressa. Como agora ficaria basicamente acampado, o mais importante era ter um bom estoque de comida e recarregar sempre minhas caramanholas para seguir em frente.

Apesar de ter passado anteriormente por alguns trechos do Elba, ainda no norte da Alemanha, antes de chegar a Berlin, nada se comparava ao trecho sul. Ali pude perceber uma ciclovia ainda mais atraente, bonita e realmente deliciosa de se pedalar. É bem verdade que a maioria dos ciclistas faz o percurso acompanhando o fluxo do rio, no sentido contrário ao que

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O Elba, ainda na Alemanha

eu fiz, mas isso não chega a ser um problema. Para quem vai contra o rio, como eu, existe um certo aclive, que é bem pequeno e as vezes quase imperceptível.

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O caminho não podia ser mais belo

O Elba é realmente grande e muito importante para os países por onde passa, por isso tanto na Alemanha quanto na República Tcheca, diversas cidadezinhas e vilas se estabeleceram às suas margens, e o cenário não poderia ser mais belo. Tudo parecia perfeito, até eu cruzar a fronteira – ali eu percebi que estava entrando num mundo realmente novo. Quanto mais pedalava, masi bonito o cenário ficava e eu mais encantado. Não demorou muito para eu me ligar que já não estava na Alemanha, que a língua e o dinheiro eram outros e que eu estava dependendo totalmente das minhas provisões (pois é, falha técnica, esqueci que a República Tcheca tem moeda própria!). Mas isso não chegou a ser um problema.

Ao pedalar pela ciclovia do Elba você fica um pouco refém do caminho. Não existem alternativas, já que de um lado está o rio, e do outro o trilho do trem, encostado no morro. Só resta seguir em frente. Depois de muitos quilômetos pedalados era hora de acampar. Mas onde? Procurei uma maneira de sair dali, mas foi em vão. A opção foi me estabelecer junto a uma casinha de ferramentas abandonada, e já decadente, às margens do trihlo do trem. Nem preciso dizer que não dormi! Os trens passam com uma frequencia incrível e eu ainda tinha medo de ser acordado por alguém me dizendo que eu não poderia acampar ali. Apesar do belo cenário, a noite foi horrível!

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Acampando às margens do Elba (aqui já chamado de Labe)

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Uma das primeiras cidades Tchecas, às margens do rio

Na manhã seguinte acordei cedo e tratei de arrumar minhas coisas, ainda molhadas. Tem chovido durante a noite, todas as noites, em quantidade suficiente para molhar tudo. Estava a caminho da minha segunda noite de três acampado, antes de chegar gloriosamente a Praga. Decidi que dedicaria mais tempo a procura do lugar para armar minha barraca. No final da tarde já queria estar acampado num lugar mais bacana, tranquilo, onde pudesse realmente descansar. Nem preciso dizer que passei pelas paisagens mais lindas que já vira até aqui. A República Tcheca, especialmente às margens do Elba, é fora de série. Não tem nada a ver com a perfeição da Holanda, ou a funcionalidade da Alemanha. É um país bastante anárquico, muito mais simples, e ainda assim belo.

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Cinema ao ar livre aqui é coisa séria!

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A pequena e charmosa Melnik

Meio sem jeito, comecei a procurar por um local para passar a noite, e perguntava para os passantes onde eu poderia armar minha barraca, na expectativa de obter uma informação segura, se era permitido acampa por ali. Ninguém queria saber muito de papo e no máximo me indicavam uma direção. Fui subindo a montanha e foi só quando parei num pequeno mercado, disposto a perguntar pela última vez, que obtive uma resposta surpreendente. O jovem que me atendeu ofereceu o quintal de sua casa para que eu pudesse descansar. Após consultar sua esposa, me disse que eu poderia usar o chuveiro, e se quisesse, após o expediente ele me convidaria para tomar um vinho ou fazer uma fogueira!

Fiquei tão surpreso quanto feliz! Estava tão cansado que quase chorei de emoção. Fui muito bem recebido pelo querido Kuba e sua esposa, Mikaela (espero que tenha escrito seu nome corretamente). Conversamos a noite inteira, ele me deu dicas de que caminho seguir para Praga, e depois para Viena, me contou sobre sua viagem ao Peru, sobre os milhares de quilometros percorridos em território europeu, apenas de carona, entre outras coisas. Foi uma noite de renovação, de recarregar energias e de muitas alegrias.

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O simpático amigo Kuba e eu

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Rochas às margens do Labe

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Os antigos casarões e suas incríveis fachadas

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Ainda às margens do Elba

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Legal a carretinha para camping né? Escolheu bem o lugar pra estacionar!

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Sempre muito religiosos

No dia seguinte parti para mais uma noite de camping, antes de chegar a capital tcheca. Assim como as paisagens, a floresta na República Tcheca é muito bonita, e convidativa. Já estava seguro o bastante para acampar sem medo, principalmente depois dos conselhos do meu amigo Kuba: “Eduardo, você pode acampar onde quiser, e ninguém vai dizer para você sair”. Dito e feito! A noite seguinte foi perfeita e minha chegada a Praga não poderia ter sido melhor. Apesar de me perder um bocado, como sempre, tudo corria maravilhosamente bem e eu já tinha atravessado boa parte do continente europeu!!!

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2 responses to “Dresden a Praga pelas margens do Elba (Labe)

  1. Otimo, Eduardo,

    estou contente que a Alemanha não deu vexame. Porque o eixo Potsdam – Dresden – Praga é terra bastante xenófoba!
    Recomendo optar por ciclovias alternativas (se tiver) e evitar os grandes centros enquanto não um “must”. Só que agora vai ter perfil mais pesado, melhor acompanhar os rios.

    abs

    Wolf

    Wolf

    • A Alemanha não deu vexame não Wolf, afinal, sou um ariano de pele clara e olhos azuis, só que ao contrário! rsrsrsrsrs.

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