Isarradweg – uma surpresa no sul da Alemanha

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Isarradweg – segue o rio Isar dos Alpes austríacos ao Danúbio

Após pedalar por uma das mais incríveis ciclovias que eu tive contato desde que pisei em solo europeu (a ciclovia do Danúbio), uma certa angústia começava a aparecer. Quando o clima melhorava um pouco logo vinha a chuva, que trazia consigo novamente o frio. Se acampado na Holanda, com 2 graus negativos de temperatura eu não havia ficado doente, na Alemanha, com as mudanças bruscas desta primavera (dizem que é a primavera mais fria dos últimos 50 anos), eu já estava sofrendo e cheguei a ficar bem gripado. Optei por descansar 2 noites em uma cama quentinha de uma pousada, já na ciclovia do rio Isar. Pela primeira vez comprei um antigripal e passei a tomá-lo, acompanhado de boas refeições, banho quente e roupas limpas (tchau Miojo – pelo menos por enquanto)!

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Placa de estabelecimento “bike friendly” na ciclovia do Isar

A angústia, propriamente dita, se referia ao fato de eu ainda não ter melhorado completamente, mesmo tomando remédios e descansando bem. O tempo também não se mostrava disposto a colaborar e isso me preocupava um pouco, já que este fator seria determinante para traçar a rota a seguir a partir daqui. Mesmo assim precisava continuar a viagem, afinal, dormir em pousada durante muitos dias não cabia no meu orçamento! Somado a isso, eu também não conseguia mais ficar parado muito tempo em uma mesma cidade – estava colhendo os frutos do meu estilo de vida dos últimos 50 dias. O que me ajudava era que com mais de 2 mil quilômetros pedalados em menos de dois meses, eu já me sentia mais seguro, e durante a viagem passei a me preocupar menos se encontraria um lugar adequado para dormir ou se estava  no caminho certo ou não, também porque a experiência me trouxe uma melhor desenvoltura nas rotas ciclísticas e na visualização dos mapas (sim, eu navego com mapas, e sem GPS!). Agora me preocupar se o caminho será agradável ou prazeroso parecia um pouco demais a essa altura do campeonato e isso havia ficado para trás. Essa expectativa passou assim que eu percebi que era eu quem fazia o caminho, e se ele não fosse muito bacana eu poderia mudá-lo!

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Presentinho da dona da pousada, antes de seguir viagem: dois sanduíches; ovo cozido; maçã e três pacotinhos de gummy!

Mesmo assim não precisei fazer muitas alterações nos meus planos até agora, pelo menos não em virtude de algum obstáculo ou limitação do caminho. Sempre que tive que seguir uma rota diferente foi em virtude da minha vontade de passar por este ou aquele lugar, uma falha no planejamento que me levou a um destino diferente ou coisa do gênero. O roteiro que escolhi tem sido repensado sempre, a cada etapa, mas até agora foi ótimo! Nesta etapa, por exemplo, entrei na Alemanha pela belíssima cidade de Passau e continuei na ciclovia do Danúbio até Degendorf, onde optei por outra ciclovia, a Isarradweg. Assim como a rota anterior, esta ciclovia também segue um rio, o Isar, que começa nos Alpes austríacos, cruza a ciclovia Bodensee-Konigsee e termina  na ciclovia do Danúbio. Ou seja, para variar, segui o caminho contrário ao fluxo do rio, indo de norte a sudoeste. Mais uma vez isso não representava um problema. Pedalar as margens destes rios é uma grande vantagem, pois quase nunca há montanhas e quando há, as ciclovias passam pelos vales, ou seja, os pontos mais baixos possíveis.

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Caminho ao lado do rio

A Isarradweg segue por pequenas cidades, florestas e com pouquíssima variação de altitude. Apesar de cortar Munique, uma das maiores cidades alemãs, o rio Isar é extremamente limpo, e muito bonito, com águas translúcidas nesta época do ano. A esta altura da viagem não tinha mais pressa de chegar a lugar algum e sentia vontade, as vezes, de acampar no meio do caminho, sempre que via um ponto interessante na floresta, mesmo tendo pedalado pouco naquele dia. Entre idas e vindas, já pedalei mais de 90km em um mesmo dia, mas também tive dias inteiros de descanso, ou outros em que pedalei apenas 40km. Isso era uma preocupação no começo da viagem; qual a média de km/dia que irei pedalar, mas agora não me incomodava mais.

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Ao longo da Isarradweg, uma das inúmeras cidades cercadas por muralhas no sul da Alemanha

Antes de chegar em Munique optei por passar a noite em um camping. A decisão foi tomada porque eu ainda estava um pouco doente e com medo de piorar, também era consumido pela obrigação auto-imposta de gastar pouco, o que sempre foi uma questão para mim. Pensava que cada dia que eu passasse gastando pouco era um dia a mais que eu poderia continuar pedalando. O camping parecia um meio termo, entre gastar pouco e ficar com o minimo de infra-estrutura, como chuveiro e banheiros. No final do dia, por volta das 20hs a chuva veio com ventos fortes e muito frio. Agradeci por ter tomado a decisão certa e estar bem instalado, ao contrário de algumas outras vezes acampado na floresta. O dia amanheceu com uma fina garoa, mas logo passou. Em algumas horas já estava em Munique, passei dentro de um parque maravilhoso (English Garden) e num piscar de olhos, cheguei ao centro da cidade.

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Pedalando às margens do rio

Munique é sem dúvida nenhuma uma das melhores cidades para se pedalar pelas quais eu passei. Eu realmente havia me apaixonado pelas ciclovias de Viena, mas ainda não conhecia esta cidade alemã e hoje me dou o direito de mudar de opinião, mas isso já é assunto para o próximo post. Até breve!

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