Munique – cidade em duas rodas

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Maximiliam Museum

A capital do estado da Baviera, com aproximadamente um milhão e meio de habitantes é, na minha opinião, a melhor cidade alemã para se pedalar. Apesar de ser menor do que Berlin e Hamburg, já que é a terceira maior cidade do país, a facilidade para se locomover de bicicleta por aqui extrapola qualquer comparação. Não é preciso ser nenhum especialista ou ter atravessado meio mundo de bicicleta para conseguir pedalar em Munique – as ciclovias ajudam, a sinalização ajuda e até a educação no trânsito e algumas campanhas de incentivo ao uso de bicicletas ajudam!

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Parques e jardins não faltam em Munique

Para começar a brincadeira, a cidade é cortada pela Isarradweg, uma belíssima ciclovia às margens do rio Isar, que liga, ao norte, a ciclovia do Danúbio, por onde cheguei, e ao sul a ciclovia Bodensee-Konigsee, que depois seria meu destino. Por aqui os caminhos de bicicleta são todos muito bem sinalizados, muitas vezes cortando parques tão grandes que fazem o passante esquecer que se encontra em uma metrópole. As ciclovias estão por toda parte, bem como os ciclistas e as bicicletas, estacionadas em todo e qualquer poste, cerca, paraciclo ou árvore. A sinalização também é muito bem feita, desde os sinais luminosos nos cruzamentos, passando pelas marcações horizontais até as placas verticais.

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A caminho de Munique, pela Isarradweg. Informação até demais!

Como a cidade é muito bem servida de metrôs, trams, calçadas e ônibus, parece que nenhum destes modais fica sobrecarregado e assim o deslocamento é muito fácil em qualquer um deles. Confesso que eu me perdi um pouco quando cheguei em Munique, dentro do Jardim Inglês, um enorme parque um pouco afastado do centro. Estava chovendo e eu tinha um pouco de pressa pois não sabia se conseguiria um quarto em um dos albergues da cidade. Tudo se resolveu após algumas voltas em círculos, quando com a ajuda de um turista austríaco consegui achar o caminho para o centro. Logo depois descobri que o albergue ficava a 6 quilômetros dali, muito mais próximo de onde eu estava anteriormente. O que poderia ser mais uma canseira se mostrou um caminho extremamente tranquilo. Como é muito fácil pedalar em Munique em 15 minutos já estava no endereço que procurava, a partir do momento que eu tinha a indicação correta.

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Campanha de incentivo ao uso de bicicletas

O dia que cheguei na cidade era a véspera de um importante jogo de futebol. O time local disputaria a final da competição de clubes mais importante da Europa contra outro time alemão, no dia seguinte. Existia uma espécie de euforia contida no ar. Tanto moradores da cidade quanto turistas começavam a desfilar com camisetas do clube de Munique, o Bayern, e só alguns poucos ousavam trajar as cores do rival, o também alemão Borussia Dortmund. Isso tudo sem dúvida fazia com que a cidade estivesse com os quartos de hotéis todos praticamente tomados, mesmo com dias frios e chuvosos. Eu que só queria descansar e me recuperar de uma gripe mal curada, também cogitei assistir à final na praça em frente à prefeitura, em um enorme telão com milhares de alemães bêbados, felizes e contentes. No dia do jogo, porém, minha prudência falou mais alto. Com os termômetros marcando 7 graus e uma chuva fina nas ruas, optei por ficar no albergue e assistir o jogo dali mesmo, ouvindo apenas a comemoração que tomou conta da cidade após o apito final.

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Ciclovias bem sinalizadas são mais fáceis de pedalar!

Se no primeiro dia em Munique só tive tempo de encontrar um lugar para dormir, já no segundo dia consegui fazer bastante coisa. Comprei dois pneus novos para minha bicicleta e um bagageiro dianteiro. Os pneus são de uma famosa marca alemã, que segundo o fabricante possuem garantia vitalícia contra furos e Munique é sem dúvida nenhuma um dos melhores lugares do mundo para se comprar acessórios para bicicleta. O bagageiro dianteiro teve uma motivação especial. Se até agora eu havia pedalado em caminhos praticamente planos ou com pouca elevação, eu sabia que num futuro próximo isso iria mudar. Assim que eu começasse a enfrentar grandes subidas não poderia carregar todo o peso na parte traseira da bicicleta. O bagageiro portanto seria uma ferramenta para poder distribuir melhor a minha carga.

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Ciclovia e calçada separadas fisicamente da rua. E tudo muito bonito, diga-se de passagem!

Após os arranjos no Camelo, fui tirar meu dia de turista. Conheci o famoso Deutsche Museum, passei em frente ao Maximilian Museum e circulei por todo o centro da cidade. É nessas horas que qualquer turista agradece quando anda de bicicleta. Uma cidade grande como Berlin ou Munique cabe na palma da sua mão, ou no movimento de suas pernas. Em algumas horas já havia circulado por quase toda a cidade, entrado em museus, arrumado minha magrela e tudo isso na maior tranquilidade. Voltei para o albergue a tempo de comer e assistir ao jogo. No dia seguinte já partiria logo cedo, mais uma vez na incerteza se pegaria tempo bom ou não, mas confiante de que independente de qualquer coisa, seria uma aventura!

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7 responses to “Munique – cidade em duas rodas

  1. Eduardo,
    morei 10 anos em Munique (64 – 74) e andar de bicicleta era um perigo só. Que bom que eles mexeram a bunda fazendo uma rede de ciclovias decente! A Baviera é super-tradicionalista e as coisas demoram…! Pelo jeito, vc vai pra Suiça ou direto pra França (via Strasbourg?)?

    abs

    Wolf

    • Wolf, você não tem idéia do que mudou! Munique é perfeita para bicicletas: é possível atravessar a cidade inteira, que não é pequena, sem gastar um centavo com condução, e em ritmo de passeio! Os carros esperam os pedestres e ciclistas passarem antes de sair das garagens ou fazer conversões; a sinalização é muito clara e fácil de entender; os caminhos para bikes são muito bem-feitos. Claro que existem trechos em que é necessário dividir espaço com os carros, mas em 90% dos casos, o respeito impera!
      Agora, respondendo a sua pergunta: vou para a Suiça. O tempo aqui est’uma nhaca, muito frio e com chuva, o que tem atrasado meu deslocamento. Mas em breve estarei no Bodensee (em 2 dias, acho) e depois em Zurich (coitado do meu bolso). Estou estudando uma maneira de chegar em Milão, ou seja, atravessar os Alpes. Se souber de alguma dica, será muito bem-vinda!
      Grande abraço!

      • Eduardo,
        travessando os Alpes: a Via Claudia é o trecho mais redomendado – da Alemanha/Austria até Verona: http://www.viaclaudia.org/en/travel-the-via-claudia/cycle-tour.html (de Füssen via Innsbruck)
        Mapa: http://www.viaclaudia.org/en/travel-the-via-claudia/cycle-tour.html
        Da Suíça é mais difícil. O pessoal costuma pegar o trem para facilitar a subida (vc mesmo põe a bici no wagão de bagagens) até certa altura para depois descer quase 4000 metros.
        De rigor: bicicleta (casette!) apropriada, peso minimo de bagagem, sempre em 2 ou mais pessoas. E “saber descer” !!!
        Se quiser atacar mesmo desde a Suíça, puxa um papo bem extenso com alguém de lá. Bom estado de saúde e super-alimentação, é claro. Acho indicado o modelo “misto”- trem e pedalar.

        abs
        Wolf

      • Olá, Wolf!
        No caminho para cá (Bodensee) conheci um alemão que me disse a mesma coisa: Pegar a ciclovia Claudia Augusta até Insbruck e de lá para a Itália. Mas como sou um pouco teimoso e já estava a caminho do Bodensee deixei essa opção para trás. Agora só me resta buscar o melhor caminho a partir de Zurique, ou, em último caso, voltar para o leste, e tentar por Insbruck. Não dispenso a opção mista, mas gostaria de começar com o pedal, e se não aguentar mesmo, partir para o trem! Ainda tenho uns dias até chegar em Zurique, então da pra pensar com bastante calma…..
        Um grande abraço!!

  2. Respeito sua força de vontade, Eduardo (viva Waldorf). Mas não é coisa soft não. Começando pela condição fisica (mudanças de altitude e de temperatura: neve em junho!), pelo equipamento (releção e qualidade de transmissão, freios, roupa). Recomendação: Não ir sozinho, veja se junta a alguém (ou grupo). Nas lojas e clubes de bicicleta eles devem saber. Zurique é pequena, as pessoas se conhecem. Tb existem agências turísticas que “acompanham” (transportando a bagagem e organizando o rango e os perneoites – eu não gostaria). Leia uns relato detalhado, muito bom (em ingles):
    http://www.swb.de/personal/elch/e_Schweiz-Italien-2001.html

    abs

    Wolf

  3. grande viagem!! to preparando a minha debike,seu custo ta em torno de quanto, qual quadro vc ta usando
    parabens y mucha suerte

    • E aí, estrada, beleza?
      Cara, se você está preparando sua viagem, só te digo uma coisa: vai nessa! É muito bom e mesmo que no meio alguma coisa dê errado, no final dá certo e você vai curtir um montão. Quanto ao custo, depende do que você quer. Eu tenho optado por ficar mais tempo acampado, mas as vezes é preciso pagar um camping quando não da pra ficar na floresta; as vezes é necessário pegar uma pensão ou albergue quando o tempo tá muito ruim, tudo depende da sua pegada. Uma diária em camping varia de 10 a 15 Euros; um albergue de 20 a 30. Eu como miojo, frutas, cozinho aveia pra reduzir os custos. Minha dica: separa uma semaninha aí na sua terra e faz um rolê levando o que vc levaria nessa trip. FAz um etste e vê o que acha! Grande abraço!!!

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