O norte da Itália e o Grande São Bernardo!

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Pequena enoteca no alto do Grand San Bernard. Incrível!

A Itália foi a grande incógnita que encontrei nesta viagem, pelo menos até agora. Talvez por ter passado por ela muito rapidamente, o tempo tenha sido escasso para entender como funcionam as coisas neste país, principalmente no que tange o deslocamento utilizando as bicicletas. Trata-se de uma nação com forte tradição e cultura ciclística, grandes marcas de bicicletas, importantes torneios, atletas campeões e muitos praticantes de esportes ou usuários das magrelas como meio de transporte. A maioria das cidades, pequenas ou grandes, possuem uma certa infra-estrutura cicloviária, mas as estradas não. Ciclorotas, mapas cicloviários ou placas indicativas pelo caminho então, nem pensar. Fosse um país onde a bicicleta quase não é usada, tudo bem, mas este definitivamente não é o caso.

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Enquanto isso, em Milão….

Minha passagem pela Itália foi decidida de última hora e contemplava apenas uma parte do norte do país, de San Bernardino a Milão e depois para o Vale d’Aosta, onde atravessaria mais uma vez os Alpes. Após cruzar o magnífico Passo de San Bernardino, acampei, ainda na Suíça, às margens do Lago di Lugano. Esta é uma parte da Suíça onde a língua e o comportamento são muito mais italianos do que suíços, mas os preços excessivamente altos me lembravam a todo momento que eu ainda estava nesta ilha de perfeição, por assim dizer. Ao atravessar a fronteira optei por acampar na cidade de Como, onde também há um belo lago. Infelizmente bastou entrar no país vizinho para que eu tivesse que pedalar no meio de carros barulhentos e soltando fumaça preta na minha cara, coisa que eu não via desde que deixei o Brasil! A falta de indicações e condições adequadas para pedalar me deixou um tanto nervoso, mas rapidamente acionei a “chave Brasil” e coloquei em prática tudo que eu aprendera na minha terra natal.

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Aluguel de bicicletas em Milão

As primeiras pedaladas em solo italiano foram um pouco complicadas, já que estava indo na base do “seja o que Deus quiser”. Eu não viajo com GPS, apenas com a ajuda de mapas em papel e das indicações que pego pela internet. Até agora meu modelo se mostrou muito eficiente, mas isso se deve, pelo menos em parte, à infra-estrutura, educação e sinalização impecáveis dos países por onde passei. Para Milão, no entanto, as placas e ruas fazem um esforço tremendo para te jogar nas autoestradas, aquelas vias rápidas proibidas para bicicletas. É preciso prestar bastante atenção e acertar o roteiro antes de cada percurso, para evitar dores de cabeça. Os italianos são faladores, bravos, brincalhões, gritam e também sào muito amáveis, tudo ao mesmo tempo! Isso se reflete, obviamente, no trânsito. Foi aqui, por exemplo, que senti pela primeira vez a necessidade de utilizar o capacete.

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Recomendo o pedal às margens dos rios e lagos. O clima e a paisagem não tem preço!

Milão é uma cidade incrível. É claro que existe uma aura meio louca ao redor dela, porque é considerada a capital da moda, mas isso não importa. Existem muits ciclovias, só que tanto os ciclistas quanto os motoristas são uma lástima no trânsito, por isso é preciso muita atenção. Mesmo assim é possível atravessar a cidade de bike e aproveitar o que ela tem de melhor sem se preocupar com o trânsito, local de estacionamento ou o preço da gasolina. Eu fiquei 3 noites hospedado na casa de uma amiga e assim consegui conhecer melhor o local, sem gastar muito. Apesar de ser uma metrópole, a cidade italiana ainda é mais barata do que as da vizinha Suíça, o que já é um grande alívio.

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Vinícolas no Vale D’Aosta

Deixar Milão foi complicado e pedalar nas principais saídas um pouco dificil, mas logo passei a acessar pequenas cidades, a grande maioria com ciclovias muito bem feitas. Acampei a beira de um rio e a medida em que eu pedalava para o Oeste tudo ia ficando mais bonito. Em pouco tempo já estava no Vale D’Aosta, uma região muito procurada para a prática de esqui durante o inverno. Com grandes montanhas e muito vento, demorei um bocado para pegar o ritmo. Acampei na montanha, em uma pequena vila chamada Etrouble, a caminho do passo do Grand San Bernard. Esta subida era sem dúvida mais pesada do que o passo de San Bernardino, não só por conta da maior altitude, mas também por ter trechos mais longos e cansativos.

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Uphill

Mas atravessar os Alpes tem suas vantagens. Primeiro porque as vilas incrustradas nas montanhas são as mais lindas do mundo! Já no passo do Grand San Bernard, a vista de um lago congelado, alguns poucos estabelecimentos (bar e restaurante) e um antigo asilo parecem um sonho frio! A fronteira com a Suiça também fica ali em cima e do outro lado é só descida! De lá de cima até Martigny, minha parada seguinte, eram quase 50 quilômetros, mais da metade só de descida, daquelas que você nem precisa pedalar. Eu já havia pego trechos de descida intensa e com muitas curvas antes, e por isso consegui aproveitar numa boa. Fato é que nessas horas é preciso ter muito cuidado com a empolgação, que pode te levar, literalmente, ladeira abaixo!

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Pequena vila de Etroubles, a caminho do Gran San Bernard

Depois disso entrei novamente na Suíça, para cruzar Genebra e seguir rumo a França. Em breve mais detalhes!

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De San Bernardino ao Gran San Bernard

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2 responses to “O norte da Itália e o Grande São Bernardo!

  1. Pretendo em maio de 2014 fazer o percurso de Roma a Paris de bike! Só que estou meio perdido sobre o melhor roteiro p esta viagem!Preciso de ajuda para esta viagem!RicR!

    • Olá, Antonio! Muito legal o percurso que você quer fazer. Bom, para começar, eu não sei como são as estradas a partir de Roma, pois não fui muito para o sul na Itália, mas acredito que você irá encontrar muitas opções, já que as estradas mais antigas do continente europeu partiam de Roma ou chegavam em Roma. Estou certo de que com uma boa pesquisa você irá encontrar rotas muito bonitas, passando por construções dos séculos I, II e assim por diante (é de cair o queixo!!). Eu fiz um percurso de Milão a Paris, passando por Genebra, então se você fizer Roma – Milão poderá seguir esta linha que tracei. Você poderá pedalar até o Vale D’Aosta (ainda na Itália), que é lindo demais, e fazer a travessia dos Alpes pelo Grand San Bernard (2400mts), que é bem mais tranquilo do que outras opções, como o Mont Blanc (4 mil e cacetada). Do Grand San Bernard desce por aproximadamente 40km, até MArtigny. Esse trecho vocÊ quase não pedala, mas tem que ter muito cuidado. É muito, muito bonito MESMO!!! De Martigny segue ao Lac Leman, e pode contornar pela sua margem sul, que já é França. Do outro lado do LAc, entra na Suiça novamente, corta Genebra e continua contornando o Leman. É lindo demais, pedalar ao lado desse lago é uma delícia. Em seguida atravessa as montanhas do Jura, uma região bacana, cheia de verde, que te dará acesso a França (outra vez). Da região do Jura pode seguir pelo canal de Borgonha, pedalando às margens deste belo canal, em direção a PAris. Se quiser mais detalhes me manda um e-mail, vamos conversando! Um grande abraço e bom giro!!!!

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