Paris a Nantes passando pelo Vale do Loire

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TRecho percorrido de Paris a Nantes

Saindo de Paris a caminho do Vale do Loire, optei por uma passagem na pequena cidade de Versailles, para conhecer o famoso palácio e seus jardins. A cidade fica bem próxima à capital francesa, mas chegar até ela de bicicleta não foi tão fácil. A falta de sinalização para ciclistas, o trânsito compartilhado com carros por vias nem sempre pequenas, porém movimentadas e algumas montanhas bem chatinhas me desgastaram mais do que imaginava neste curto percurso.

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A visita aos jardins do palácio de Versailles é gratuita

Logo que cheguei descobri que acampar em Versailles era mais caro do que em Paris e a dinâmica da cidade não permitia acampar na floresta (as enormes áreas verdes são muito visadas, quando não cercadas) o que levou por água abaixo meus planos de assistir ali a final do Tour de France, ao vivo. Apesar de muito bonita e ótima para pedalar, a cidade não tem muitas atrações turísticas, exceto pelo palácio e seus jardins. Passado o momento turista, era hora de pegar a estrada, seguindo em direção sudoeste.

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Bonitas mas cansativas, as infinitas plantações de baguete e croissant

Neste trecho, como em boa parte do território francês até agora, não havia ciclovia ou rota ciclística que seguisse na direção que eu queria. A solução adotada ali foi assinalar os nomes das cidades ou vilas do caminho e pedalar por pequenas estradas rurais. Alguns franceses que eu conheci antes e durante a viagem já haviam me alertado que eu passaria por uma região com enormes plantações de trigo, e nada mais. O que eu não imaginava é que embora houvesse poucos aclives, também haveria muito calor, quase nenhuma sombra e que por muitos quilômetros eu não encontraria uma alma viva sequer para pedir água ou informações.

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Pouco antes de chegar ao Vale do Loire, a coisa começou a melhorar!

As condições da região me exigiam cautela, pois embora eu não suasse muito, o cansaço era evidente, e se manifestava na dificuldade de pedalar ininterruptamente por períodos não maiores do que uma ou duas horas. Embora não houvesse florestas ou rios para que eu acampasse em boas condições a grande vantagem é que o camping ali não é muito caro. Logo eu estava próximo a um pequeno rio chamado Loir, que não é o famoso Loire (com e no final) e me levou a uma enorme confusão. Por um tempo achei que era o Loire e me perdi bastante tentando pedalar às margens do riacho.

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Quando começa a maior concentração de castelo por quilometro quadrado

Quando enfim cheguei à pequena cidade de Bleré, às margens do rio Cher tudo mudou. A região era muito mais bonita, cheia de construções históricas e pedalar pelas margens do rio é sempre um prazer. Logo consegui acessar a famosa ciclovia do Loire (Loire à Velo) e passei a pedalar na região com maior concentração de castelos que eu já vi. A cultura ciclística se manifestava de uma forma completamente diferente, cheia de vida e com uma força tão grande que não devia nada aos caminhos na Holanda, Alemanha ou Suiça.

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Muitas ruínas

Muita gente pedala por ali, já que além de ser uma rota verde e com completa infraestrutura ciclística também é cheia de pontos turísticos, históricos e naturais. A Loire à Velo faz parte da Euro Velo 6, uma rota mais abrangente, que liga o Oceano Atlântico ao Mar Negro, passando por 10 países (França, Alemanha, Suíça, Áustria, Eslováquia, Hungria, Sérvia, Croácia, Bulgária e Romênia) e com isso ganha alguns cicloturistas mais entusiasmados. A região é uma das mais lindas que eu passei até agora (tudo bem, eu sei que já disse isso muitas vezes antes, mas é sempre verdade!) contando com algumas cidades relativamente grandes como Tours, Angers e Nantes e também pequenas aglomerações, como Montsoreau, Gennes e Saint Florent le Veil.

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Imagem “pescada” na internet de caves dos troglodytes. Infelizmente não tirei fotos…

Ali, embora seja uma prática ilegal,  é possível acampar a beira do rio, que é o maior da França e também bastante limpo. É preciso tomar muito cuidado em diversos trechos das margens do Loire que são de areia movediça, extremamente perigosos. Outro cuidado é sempre usar aquelas pastilhas de cloro para “purificar” as águas que você irá usar para o consumo. O caminho foi ótimo, passando por diversas cavernas nas montanhas de pedra, que antigamente foram habitadas pelos Troglodytes e hoje se tornaram caves de vinhos. Construções de pedra são muito comuns nessa região, além de castelos e ruínas. Para quem gosta de vinhos, ali é uma das boas regiões da França e os produtos locais sempre saem mais baratos.

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castelos, castelos e castelos

Pedalei pelo vale do Loire até o oceano atlântico, na pequena cidade de Saint Brevin les Pins. Dali seguiria por outra ciclorota bastante famosa, a Velocean, que irei descrever no próximo post! Espero que tenham gostado, bom giro a todos!

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Pequenos encntos na cidade de Bleré

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Indicações da ciclorota do Loire

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Loire a Velo

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Partiu Chatô

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De carro no vale do Loire? Se joga!

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4 responses to “Paris a Nantes passando pelo Vale do Loire

  1. Que ótimo, Eduardo,
    rumando para o verão ibérico numa boa. Mais ainda, já que acabei ler o diário de um alemão que fez Moscow – Wladiwostok – Tóquio (5 meses, 13kkm. com bicicleta militar suiça de 1937) voltando meio congelado. Já decidiu a rota pelos Pireneios ?
    Só p lembrar: Na Espanha, pelo interior, existem longas ciclovias nos antigos leitos de ferrovias desmontadas (com gradiente/relevo suave) ligando cidades conhecidas e outras esquecidas.
    abs
    Wolf

    • OLá, Wolf!
      Acabo de passar os Pirineus Orientais, pela costa do Mediterrâneo, onde não existem grandes elevações (se comparado com as montanhas mais a noroeste). As estradas são lindas, cheias de curvas e com um sobe/desce constante, o que cansa mais principalmente por conta do calor. Vou dar uma olhada na sua sugestão e farei uma busca pela internet para ver as ciclovias ao longo das ferrovias desmontadas (vi algo parecido na França, na Costa do Atlântico, num trecho que faz parte do caminho de San Jacques). Estou indo agora para noroeste, acompanhando os Pirineus pela base, a caminho do norte da Espanha para a rota de Santiago de Compostela!
      Um grande abraço!

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