Bruges – pedalando um conto de fadas

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Nem se fosse montagem ficaria tão legal

A cidade de Bruges, na Bélgica, é sem dúvida um dos mais charmosos e encantadores centros por onde passei. Com uma infinidade de canais e uma veia artística muito forte, é conhecida por muitos como a Veneza do norte, o que particularmente eu acho uma grande besteira – Veneza é Veneza e Bruges é Bruges, e cada uma têm suas peculiaridades. Claro que o apelido tem seus motivos, já que têm em comum a importante produção de tecidos, uma zona portuária respeitável e seus canais, que também lembram bastante a holandesa Amsterdam.

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Camelo, canal e deck

Em Bruges vivem 117 mil habitantes, dos quais apenas 20 mil residem no centro, região rodeada por um canal em formato oval e cortada por vários outros, utilizados principalmente no transporte de turistas e de carga. Apesar disso não preciso nem dizer que a melhor maneira de conhecer a cidade é de bicicleta, que aliás, é muito mais popular do que os carros. Basta procurar lugar para estacionar a bike nos pontos mais turísticos que você entenderá o que estou falando.

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Tatá Marina gostou de pedalar na Bélgica

As magrelas tem liberdade total no centro da cidade belga, podendo trafegar nos dois sentidos, inclusive nas vias de sentido único para automóveis. Já nas ciclovias, há de se respeitar o sentido da via e nas vias compartilhadas ao longo dos canais a bike é sempre uma boa pedida. Tamanha é a liberdade em duas rodas que é muito comum ver seus condutores tomarem a preferência inclusive sobre pedestres, o que particularmente considero um erro grave, mas assim como em Amsterdam, acontece com frequencia. Com ruas estreitas de paralelepípedo e toneladas de construções históricas, andar de carro por aqui seria um equívoco indesculpável. Quem quer conhecer Bruges deve andar a pé, de bicicleta ou de charrete, já que existem dezenas de carros movidos a tração animal que podem ser alugados em diversos pontos do centro, e são muito charmosos.

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Um charme

Degustar os melhores biscoitos, chocolates, waffles e cervejas são apenas algumas das tarefas que o visitante pode assumir. Em termos de gastronomia eu não deixaria de fora também os famosos mariscos com fritas, as enguias e a tradicional carne de coelho. Tudo isso fica ainda mais interessante para quem entrar de cabeça no clima local e se deixar encantar pela arquitetura, pelos moinhos, pelo clima e até pelas roupas engraçadas que alguns belgas insistem em usar, remetendo a um conto de fadas ou peças de teatro de época, lá do século XV! Para o turista mais espirituoso viajar pela Bélgica pode ser também uma viagem no tempo.

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Ciclovia ao longo de um dos canais em direção à Holanda

Se você chegou em Bruges é sinal que fez uma ótima escolha de viagem e a partir dali tudo fica mais fácil. Com apenas uma bicicleta é possível conhecer toda a cidade, uma boa parcela da Bélgica, o sul da Holanda ou até mesmo o norte da França, tudo isso porque pedalar pela região é realmente fácil e prazeroso, até mesmo para um iniciante. É possível seguir ciclovias ao longo de canais que saem de Bruges para cidades vizinhas, com Ghent, ou pegar um trem até a Antuérpia e voltar pedalando. Se você optar por seguir para o norte em pouco tempo irá atravessar a fronteira com a Holanda e chegar em Sluis, já no país vizinho, passando pela simpática vila de Damme. A 70km para o sul está a cidade de Lille, já na França, outro destino fácil para o ciclista. A Antuérpia talvez seja o pedal mais pesado, já que fica a 90km de Bruges, o que fica ainda mais difícil quando venta. O vento na Bélgica pode transformar qualquer pista plana em uma subida, se estiver soprando contra. Mas tudo isso pode ser facilmente contornado já que o país é muito bem servido de trens, que com o pagamento de uma pequena taxa leva sua bicicleta para onde você for.

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City at night

Embora não seja o destino favorito da maioria dos cicloviajantes, a Bélgica é um dos melhores países para se pedalar, e não deve nada para a Holanda ou Alemanha (ainda não conheci a Dinamarca). É legal tanto para quem quer viajar turistando quanto para os aventureiros, já que as ciclovias que acompanham os canais estão por toda parte e existe uma oferta razoável de campings. Os maiores cuidados devem ser nos rolês dentro das cidades, quando alguns motoristas mais apressadinhos podem incomodar, e com o controle dos seus gastos: a Bélgica é mais cara do que a França, se assemelha a Holanda mas não chega a ser uma Suiça. Entendeu?

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Difícil é encontrar lugar para amarrar a magrela, inclusive de noite

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Aluguel de bicicletas em um salão de beleza

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Ciclovias e sinalização

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Domingo em Ghent e um policial de bicicleta

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No centro de Bruges, sem paraciclo mas com bicicletas

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